segunda-feira, 1 de junho de 2009

APRENDENDO A GOSTAR DE LER

A aprendizagem da linguagem escrita envolve questões relacionadas a qualidade das vivências experenciadas por uma pessoa desde a mais tenra idade. Mello explicita com propriedade e com clareza aspectos que pude sentir e dos quais me recordo com prazer, de minha infância, no meu percurso como aprendiz, de criança que cobiçava entusiasmada aprender a ler, a descobrir o que aqueles “desenhos” tinham de tão interessante.
Reconheci e percebi muito de meu caminho como aluna, no meu próprio processo de aquisição da leitura, como também, enquanto aluna de magistério, que apesar das inovações e mudanças de paradigmas no campo da educação, recebeu maciça influência das circunstâncias apresentadas pela autora.
Recordo que não enfrentei grandes obstáculos no meu processo de aquisição da leitura e de compreensão de seus significados, todavia concordo com o pressuposto de que o método da cartilha _Caminho Suave foi a que utilizei _ como instrumento de ensino deixa lacunas e mesmo “falhas” que acabam por dificultar todo o processo.
Por diversas vezes deparei-me com crianças, jovens e até mesmo adultos, que apresentavam o que se denomina analfabetismo funcional. Pessoas “incapazes” de criar algo seu, de conseguir deixar fluir suas idéias singulares, que conseguem apenas repetir, as vezes com palavras diferentes, o que leram.
A compreensão da importância da função social da escrita é extremamente relevante, principalmente em nosso campo de ação, como educadores que somos. Poder motivar e encantar nossos alunos, chegando a “seduzi-los”, “enfeitiça-los” pelo gosto de escrever e ler é condição assaz primordial para o sucesso no desenvolvimento pleno de um cidadão.
A criança precisa ser levada a sentir necessidade para aprender a ler e a escrever, através de atividades em que suas vivências sejam valorizadas, através da expressão e comunicação de seus desejos, ou seja, ela precisa “sentir” que ler e escrever é importante, necessário para comunicar suas idéias e aprender coisas novas, interessantes.
Os meios que nós professores precisamos utilizar podem e devem ser os mais variados e diversificados possíveis. Através de “brincadeiras”, da expressão artística em suas mais diferentes formas, a criança expressa o que vive, o que conhece. Assim, o professor, enquanto intermediário nesse processo precisa facilitar e propiciar situações enriquecedoras, inovadoras, que estimulem e motivem às crianças a perceberem seus desejos, até mesmo inspirando novos desejos.
Eu e meus alunos estamos construindo a idéia de montarmos, juntos, um livro com as letras das músicas que cantamos em nossas aulas. Num primeiro momento eles demonstraram vivo entusiasmo, porém ainda definiremos as condições que iremos seguir. Deste modo, pretendo envolvê-los numa situação nova que possa criar nas crianças vontade de poder saber ler o que produziram.
Meus alunos apresentam certa heterogeneidade em relação ao nível de desenvolvimento entre eles, mas isso não pode ser entendido como um empecilho ao crescimento, e sim como um fator que deve ser aproveitado como propiciador de diferentes vivências.

MELLO, Suelly Amaral. Letramento (e não alfabetização) na educação infantil e formação. Do futuro leitor e produtor de textos.

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